Ansiedade e pânico

Crise de ansiedade ou crise de pânico? Como diferenciar e o que fazer

Coração disparado, falta de ar, medo de que algo grave esteja acontecendo. As duas situações podem parecer iguais para quem está passando por elas. Entenda o que muda de uma para a outra, o que fazer na hora e quando vale buscar ajuda.

Dra. Evelin Brandelero, médica psiquiatra em Cuiabá
Dra. Evelin BrandeleroMédica psiquiatra · CRM/MT 11469 · RQE 8265Publicado em · 7 minutos de leitura
Mulher sentada em um sofá perto da janela, de olhos fechados, com a mão no peito, respirando com calma
Neste artigo

Resposta rápida

A crise de pânico começa de repente, com medo intenso e sintomas físicos fortes que atingem o pico em cerca de 10 minutos, muitas vezes sem motivo aparente. A chamada crise de ansiedade costuma crescer aos poucos, ligada a uma preocupação ou situação de estresse. Se houver dor no peito, falta de ar intensa ou desmaio, procure atendimento de emergência.

O que é crise de ansiedade?

Crise de ansiedade é o nome popular para um momento em que a ansiedade sobe muito e o corpo reage: tensão, coração acelerado, respiração curta, cabeça que não para. A expressão é muito usada, mas não é um diagnóstico. Ela não aparece como categoria própria no DSM-5-TR, o manual de referência em psiquiatria.

Na prática, esses episódios costumam crescer aos poucos, ligados a uma prova, a uma conversa difícil, a um problema no trabalho ou a uma preocupação que vem se acumulando. Como o termo é informal, muitas pessoas também chamam de crise de ansiedade o que, tecnicamente, é uma crise de pânico.

O que é crise de pânico?

A crise de pânico, ou ataque de pânico, é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso. Ela é definida pela presença de pelo menos quatro sintomas físicos ou emocionais, como palpitações, falta de ar, tremores e medo de morrer. Os sintomas geralmente chegam ao pico em cerca de 10 minutos.

A maioria das crises dura entre 5 e 20 minutos, embora algumas possam chegar a cerca de uma hora. Ela pode acontecer depois de uma situação estressante ou surgir sem motivo aparente, o que torna a experiência ainda mais assustadora.

Qual é a diferença entre crise de ansiedade e crise de pânico?

A principal diferença está em como a crise começa: a de pânico vem de repente e chega ao auge em minutos; a de ansiedade costuma ir crescendo, em geral ligada a algo que está preocupando a pessoa.

Comparação entre crise de pânico e crise de ansiedade
O que observarCrise de pânicoCrise de ansiedade
Como começaDe repente, muitas vezes sem avisoAos poucos, ao longo de minutos ou horas
MotivoPode surgir sem motivo aparenteCostuma estar ligada a uma preocupação ou situação de estresse
IntensidadeMedo intenso, com pico em cerca de 10 minutosVaria de leve a forte, com altos e baixos
DuraçãoEm geral, de 5 a 20 minutosPode se estender por mais tempo
Sensação típicaMedo de morrer, de enlouquecer ou de perder o controle; sensação de irrealidadeTensão, preocupação, inquietação e dificuldade de relaxar
Termo médicoSim: ataque de pânicoNão: é uma expressão popular

Essa comparação ajuda a entender o que aconteceu, mas não substitui uma avaliação. As duas situações podem se misturar, e você não precisa acertar o nome para pedir ajuda.

Quais são os sintomas?

Muitos sintomas aparecem nas duas situações. O que costuma mudar é a velocidade e a intensidade com que eles chegam.

No corpo

  • Coração acelerado ou palpitações
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento
  • Aperto ou dor no peito
  • Suor, tremores, calafrios ou ondas de calor
  • Tontura, náusea ou formigamento

Na mente

  • Medo de morrer ou de enlouquecer
  • Medo de perder o controle
  • Sensação de irrealidade ou de estar fora do próprio corpo
  • Preocupação difícil de interromper
  • Inquietação e dificuldade de relaxar

O que fazer durante uma crise?

Se você já foi avaliado(a) e reconhece a crise, estes passos podem ajudar a atravessá-la. Eles não fazem a crise desaparecer na hora: a ideia é passar por ela com menos medo.

Mulher sentada em um sofá claro, com uma mão no peito e outra na barriga, fazendo uma respiração lenta
  1. Pare em um lugar seguro.Se puder, fique onde está e sente-se. Se estiver dirigindo, encoste o carro assim que for seguro.
  2. Lembre que vai passar.Diga a si: “é uma crise, ela é temporária”. Dar nome ao que acontece reduz o medo do próprio medo.
  3. Respire devagar.Inspire pelo nariz e solte o ar pela boca, sem pressa, deixando a expiração mais longa. Não tente encher demais os pulmões.
  4. Traga a atenção para o agora.Procure 5 coisas que você vê, 4 que pode tocar, 3 sons, 2 cheiros e 1 sabor.
  5. Solte os músculos.Relaxe aos poucos os ombros, a mandíbula e as mãos, um grupo de cada vez.
  6. Depois, descanse.É comum sentir cansaço. Beba água, vá com calma e, se puder, conte a alguém de confiança.

Quer ajuda para manter o ritmo? Siga um círculo que acompanha a sua respiração.

Abrir a Respiração guiada

O que evitar: usar álcool ou outras drogas para aliviar os sintomas, tomar o remédio de outra pessoa ou passar a evitar todo lugar onde já teve uma crise. Fugir pode aliviar na hora, mas tende a aumentar o medo com o tempo.

É crise de pânico ou problema no coração?

Os sintomas podem ser muito parecidos, e não dá para ter certeza sozinho(a). Por isso, a regra é simples: na dúvida, trate como emergência e busque atendimento. Isso vale principalmente na primeira vez.

Ligue 192 (SAMU) ou procure uma emergência se houver:

  • Dor ou pressão no peito, principalmente se não passar ou se for pior do que nas outras vezes
  • Dor que se espalha para o braço, a mandíbula ou o pescoço
  • Falta de ar intensa ou desmaio
  • Sintomas que acontecem pela primeira vez, ou diferentes dos habituais

Se você está em sofrimento intenso ou pensando em se machucar, ligue para o CVV, no 188 (24 horas, gratuito), ou para o SAMU, no 192.

Como ajudar alguém em crise?

Sua presença calma ajuda mais do que muitas palavras.

Duas amigas sentadas lado a lado em um banco; uma delas apoia a mão no ombro da outra com tranquilidade
  • Fique por perto, fale baixo e use frases curtas, como “estou aqui com você”.
  • Pergunte do que a pessoa precisa, sem insistir.
  • Convide a respirar devagar, no ritmo dela.
  • Evite frases como “isso é coisa da sua cabeça” ou “fica calmo(a)”.
  • Se houver dor no peito, desmaio ou dúvida, chame o SAMU pelo 192.

Quando as crises viram transtorno do pânico?

Uma crise isolada não significa que a pessoa tem um transtorno. Fala-se em transtorno do pânico quando as crises são repetidas e inesperadas, e ao menos uma delas é seguida por um mês ou mais de preocupação constante com novas crises ou de mudanças na rotina para evitá-las, como deixar de sair, de dirigir ou de ir a certos lugares.

O diagnóstico é feito por um profissional habilitado, que também verifica se outras condições físicas podem explicar os sintomas. Veja mais sobre o tratamento para transtorno do pânico e sobre o tratamento para ansiedade generalizada.

Quando procurar um psiquiatra?

Não é preciso esperar a situação ficar insuportável. Vale procurar uma avaliação quando:

  • As crises se repetem ou você vive com medo da próxima.
  • Você deixou de fazer coisas ou de ir a lugares por causa delas.
  • Já fez exames que não explicaram os sintomas e eles continuam.
  • O sono, o trabalho, os estudos ou as relações estão sendo afetados.
  • Você tem usado álcool, remédios ou outras substâncias para aguentar.

Como é o tratamento?

O tratamento é definido caso a caso, depois de uma avaliação cuidadosa, e pode incluir psicoterapia, medicamentos ou a combinação dos dois.

Psicoterapia

A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem mais estudada. Ela ensina a reconhecer os sinais do corpo, a mudar a forma de reagir a eles e a voltar, aos poucos, às situações que passaram a ser evitadas.

Medicamentos

Quando indicados, os antidepressivos são frequentemente usados e podem levar algumas semanas para fazer efeito. Os ansiolíticos benzodiazepínicos aliviam rapidamente, mas podem causar tolerância e dependência, por isso são usados com cautela e por períodos curtos. Qualquer medicamento deve ser iniciado, ajustado ou interrompido com orientação médica.

Perguntas frequentes

Uma crise de ansiedade pode matar?

A crise assusta muito, mas em si não costuma ser perigosa. Ainda assim, dor no peito, falta de ar intensa ou desmaio precisam de avaliação médica imediata, porque podem ter outras causas. Na dúvida, ligue 192 (SAMU).

Quanto tempo dura uma crise de pânico?

Na maioria das vezes, de 5 a 20 minutos, com pico em cerca de 10 minutos. Algumas podem durar até cerca de uma hora. Já a ansiedade que cresce aos poucos pode se estender por mais tempo, com altos e baixos.

Ter uma crise de pânico significa ter transtorno do pânico?

Não. Uma crise isolada não é, por si só, um transtorno. O transtorno do pânico envolve crises repetidas e inesperadas, seguidas de pelo menos um mês de preocupação com novas crises ou de mudanças na rotina para evitá-las.

Quem tem crises precisa tomar remédio?

Nem sempre. O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamento ou os dois, e a indicação depende da avaliação de cada pessoa. Não use o remédio de outra pessoa nem interrompa um medicamento por conta própria.

Devo procurar psiquiatra ou psicólogo?

Os dois podem ajudar, de formas diferentes. O psiquiatra é o médico que avalia o quadro, investiga outras causas e pode prescrever medicamentos quando necessário. O psicólogo conduz a psicoterapia. Muitas pessoas se beneficiam dos dois acompanhamentos.

Dá para evitar novas crises?

Não há garantia de evitar todas, mas o tratamento pode reduzir a frequência das crises e o medo de que elas voltem. Dormir bem, manter atividade física e não fugir de tudo o que lembra a crise também costumam ajudar.

Dra. Evelin Brandelero, médica psiquiatra em Cuiabá

Você não precisa passar por isso sozinho(a)

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Dra. Evelin Brandelero · Médica psiquiatra · CRM/MT 11469 · RQE 8265 Em sofrimento intenso ou risco, ligue 188 (CVV) ou 192 (SAMU).