TDAH

TDAH em adultos: sintomas, como é o diagnóstico e tratamento

Perder prazos, esquecer compromissos, começar mil coisas e terminar poucas. Todo mundo se distrai, mas, para algumas pessoas, isso acompanha a vida inteira e pesa no trabalho e nas relações. Entenda como o TDAH aparece na vida adulta e como ele é avaliado.

Dra. Evelin Brandelero, médica psiquiatra em Cuiabá
Dra. Evelin BrandeleroMédica psiquiatra · CRM/MT 11469 · RQE 8265Publicado em · 6 minutos de leitura
Homem sentado à mesa de trabalho, com uma folha e bloquinhos coloridos à frente, olhando para o lado com expressão pensativa
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Resposta rápida

Em adultos, o TDAH costuma aparecer como dificuldade de manter a atenção, de se organizar e de cumprir prazos, além de inquietação e impulsividade. Os sintomas começam antes dos 12 anos, mesmo quando o diagnóstico só vem na vida adulta. Não há exame que o confirme: a avaliação é clínica, e o tratamento pode combinar medicamento e psicoterapia.

O que é TDAH?

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento, marcada por um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade que atrapalha a vida da pessoa. Ele começa na infância, mas pode seguir na vida adulta.

Não é preguiça nem falta de esforço. A Associação Americana de Psiquiatria cita uma análise que estima o TDAH em cerca de 2,5% dos adultos. Um estudo mais recente nos Estados Unidos indica que cerca de 6% dos adultos têm o diagnóstico, e aproximadamente metade o recebeu já na vida adulta.

Quais são os sintomas de TDAH em adultos?

Na vida adulta, a inquietação tende a ser mais interna do que visível, e a dificuldade costuma aparecer mais na organização, nos prazos e nas relações.

Desatenção

  • Distrair-se com facilidade
  • Esquecer compromissos, contas e recados
  • Perder objetos com frequência
  • Dificuldade para organizar o tempo
  • Começar tarefas e não terminar
  • Dificuldade para seguir instruções

Hiperatividade e impulsividade

  • Inquietação ou sensação de agitação interna
  • Dificuldade para ficar parado(a) em reuniões
  • Falar muito ou interromper as pessoas
  • Tomar decisões rápidas, sem pensar nas consequências
  • Impaciência para esperar
  • Oscilações de humor

A maioria das pessoas tem sintomas dos dois grupos, mas algumas têm mais de um tipo só. Em mulheres, o diagnóstico pode ser menos frequente, porque os sintomas de desatenção são mais difíceis de perceber.

Como diferenciar TDAH de distração comum?

Sentir-se disperso em semanas cheias é comum. A diferença está em desde quando acontece, em quantos lugares acontece e no quanto atrapalha.

Comparação entre TDAH e distração comum
O que observarTDAHDistração comum
Desde quandoDesde antes dos 12 anosEm fases específicas da vida
Onde aconteceEm mais de um ambiente, como trabalho e casaMais em uma situação específica
DuraçãoPelo menos seis meses, de forma persistenteMelhora quando a fase passa
ImpactoPrejuízo real no trabalho, nos estudos ou nas relaçõesIncomoda, mas sem prejuízo importante
O que mudaDescanso não resolve sozinhoMelhora com descanso e menos pressão

Essa comparação não fecha um diagnóstico. Excesso de telas, sono ruim, ansiedade e sobrecarga também afetam a atenção, por isso a avaliação é tão importante.

Por que o diagnóstico pode vir só na vida adulta?

Muitas pessoas passam a infância e a adolescência sem saber que têm TDAH. Principalmente quando a desatenção predomina, os sintomas chamam menos atenção do que a agitação. Algumas também criam formas de compensar, como estudar na última hora ou se apoiar em quem organiza tudo por perto.

A dificuldade costuma ficar mais evidente quando as exigências crescem: um emprego com mais responsabilidades, a chegada dos filhos, as contas da casa.

Como é o diagnóstico de TDAH em adultos?

O diagnóstico é clínico. Não há exame de sangue ou de imagem que o confirme. A avaliação costuma incluir:

Mãos de um adulto folheando um álbum de fotos antigo sobre uma mesa de madeira clara
  1. Conversa sobre a sua história.Como foi a infância e a escola, e quando as dificuldades começaram.
  2. Sintomas atuais.Pelos critérios do DSM-5-TR, adultos precisam ter pelo menos 5 sintomas de desatenção ou de hiperatividade e impulsividade, por no mínimo seis meses.
  3. Mais de um ambiente.Os sintomas precisam aparecer em mais de um contexto e causar prejuízo real.
  4. Questionários e outras pessoas.Escalas podem ajudar, e o relato de alguém próximo também pode ser útil.
  5. Investigação de outras causas.É preciso verificar se outra condição explica melhor os sintomas.

Sobre testes na internet: eles podem ajudar a organizar suas dúvidas, mas não confirmam nem descartam o TDAH.

O que pode parecer TDAH?

Outras condições também afetam a atenção e podem acontecer junto com o TDAH. Por isso, elas fazem parte da avaliação:

O que ajuda no dia a dia?

Estas estratégias não substituem a avaliação nem o tratamento, mas podem reduzir o peso da rotina.

Mãos organizando bloquinhos coloridos e sem escrita ao lado de um caderno fechado, sobre uma mesa clara
  • Anote tudo em um só lugar, em vez de confiar na memória.
  • Use alarmes para compromissos e para começar as tarefas.
  • Divida tarefas grandes em etapas pequenas, com prazos próprios.
  • Trabalhe em blocos curtos, com pausas combinadas.
  • Deixe objetos importantes sempre no mesmo lugar.
  • Cuide do sono e faça atividade física regularmente.
  • No trabalho, peça instruções por escrito e um ambiente mais silencioso, quando for possível.

Quando procurar um psiquiatra?

Vale procurar uma avaliação quando:

  • As dificuldades acompanham você desde a infância ou a adolescência.
  • Prazos, esquecimentos ou desorganização trazem prejuízo no trabalho ou nos estudos.
  • As relações sofrem com esquecimentos, impulsividade ou irritação.
  • Você vive se sentindo em dívida, mesmo com muito esforço.
  • Há também ansiedade, humor baixo ou uso de substâncias para aguentar a rotina.

Como é o tratamento de TDAH em adultos?

O plano depende dos sintomas e do quanto eles afetam a sua vida. Pode incluir medicamentos, psicoterapia, ajustes na rotina ou uma combinação deles. Veja mais sobre o tratamento para TDAH.

Medicamentos

Os estimulantes costumam ser a primeira opção, e também existem alternativas não estimulantes. Eles precisam de prescrição e de acompanhamento médico, e nem todo mundo precisa ou quer usá-los. Pode ser necessário ajustar a dose ou testar mais de uma opção.

Psicoterapia

A terapia cognitivo-comportamental ajuda a desenvolver estratégias de organização e a lidar com padrões construídos ao longo de anos, como a autocrítica e o hábito de adiar.

Perguntas frequentes

O TDAH pode começar na vida adulta?

Pelos critérios atuais, os sintomas precisam ter começado antes dos 12 anos. O que muitas vezes acontece na vida adulta é a descoberta: o quadro já existia, mas só foi reconhecido quando as exigências aumentaram.

Existe exame que confirma TDAH em adultos?

Não. Não há exame de sangue ou de imagem específico para o diagnóstico. A avaliação é clínica e considera a história de vida, os sintomas atuais, questionários e a investigação de outras condições.

Teste online serve para diagnosticar TDAH?

Não. Um questionário pode ajudar a organizar suas dúvidas e a decidir procurar ajuda, mas não confirma nem descarta o TDAH. O diagnóstico depende da avaliação de um profissional habilitado.

Todo adulto com TDAH precisa de remédio?

Não. O plano depende dos sintomas e do quanto eles afetam a vida da pessoa. Algumas pessoas usam medicamentos, outras se beneficiam mais da psicoterapia e de ajustes na rotina, e muitas combinam essas opções.

Posso usar remédio para foco sem diagnóstico?

Não é indicado. Os medicamentos para TDAH precisam de avaliação e acompanhamento médico, porque têm efeitos colaterais e contraindicações. Não use a medicação de outra pessoa.

O TDAH passa com a idade?

Os sintomas podem mudar. A hiperatividade costuma diminuir ou virar uma inquietação interna, enquanto a desatenção muitas vezes persiste. Com acompanhamento, é possível aprender a lidar melhor com os sintomas.

Dra. Evelin Brandelero, médica psiquiatra em Cuiabá

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Dra. Evelin Brandelero · Médica psiquiatra · CRM/MT 11469 · RQE 8265 Em sofrimento intenso ou risco, ligue 188 (CVV) ou 192 (SAMU).